Carolina de Jesus, uma mulher à frente de seu tempo

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Hello, people!

Ontem, foi dia da consciência negra (20/11) e eu escolhi uma escritora negra para homenagear esse povo maravilhoso. Mesmo sendo uma importante escritora brasileira, a Carolina ainda é desconhecida por muitos. Infelizmente,  a literatura feminina é menosprezada até nos dias de hoje.

Carolina Maria de Jesus foi uma das escritoras brasileiras mais expressivas, traduzida para mais de dez idiomas. Quarto de Despejo foi o seu livro de maior sucesso. E coloquei como meta encontrá-lo!!

Se o trabalho das escritoras é geralmente subvalorizado e apagado, o trabalho de uma escritora negra, pobre e favelada encontra ainda mais dificuldades para superar a barreira da invisibilidade. 

Ela nasceu em MG, aos 14 anos era catadora de lixo e moradora da favela do Canindé, em São Paulo, na segunda metade da década de 50. Usava os cadernos que encontrava no lixo para escrever sobre seu cotidiano e pensamentos. Virou um diário que passou a ser publicado num jornal; há inclusive trechos em que os vizinhos vêm tirar satisfação com ela sobre algo que ela escreveu.

Entre as idas ao açougue para buscar restos de ossos que lhe davam, os dias catando papel nas ruas de São Paulo enquanto os três filhos ficavam sozinhos no seu barraco e as noites insones observando as estrelas, Carolina refletia sobre o cenário de desigualdade e escrevia sobre as pequenas coisas que compõem a condição humana.

A preocupação com o que vai se comer no dia. A repetição da busca da água todas as manhãs. A brutalidade do ambiente: a cidade, a favela, as pessoas.

Carolina fazia da sua escrita uma válvula de escape. MULHER. NEGRA. DE FAVELA. Ela falava dos problemas da periferia, escrevia sobre as desigualdades sociais. Com maestria, se mostrou uma grande escritora e importante mulher em busca do empoderamento feminino.

Sua voz é marcante não pelos “erros” gramaticais preservados pela edição, mas sim pela sensibilidade para os detalhes normalmente desprezados pelo nosso olhar.

“Eu deixei o leito as 3 da manhã porque quando a gente perde o sono começa pensar nas miserias que nos rodeia. (…) Deixei o leito para escrever. Enquanto escrevo vou pensando que resido num castelo cor de ouro que reluz na luz do sol. Que as janelas são de prata e as luzes de brilhantes. Que a minha vista circula no jardim e eu contemplo as flores de todas as qualidades. (…) É preciso criar este ambiente de fantasia, para esquecer que estou na favela.

Fiz o café e fui carregar agua. Olhei o céu, a estrela Dalva já estava no céu. Como é horrível pisar na lama.

As horas que sou feliz é quando estou residindo nos castelos imaginarios.”

(trecho de Quarto de Despejo, 1960)

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