Querido Diário

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Quando escrevo, eu gosto de falar sobre coisas alegres, dos filmes e séries que eu assisto, dos lugares que eu conheço e as coisas legais da minha rotina. Dessa vez, vou falar sobre um assunto triste: #bullying . Quando eu era criança, esse termo não era muito utilizado e as pessoas costumavam dizer que quando algum menino implicava com você, era porque ele gostava de você! Se uma menina implicasse, era porque ela tinha inveja! E para resolver isso, era só você não dar atenção.

Hoje, sabemos que não é bem assim. Eu sempre fui introspectiva, gostava de ficar no meu mundinho lendo, escrevendo, assistindo tv e nunca fui de ter muitas amigas ou de ficar conversando muito. Além disso, eu era muito magra, tinha um cabelo enorme, um nome diferente, dentes “encavalados”. Essas características me renderam vários apelidos: dente de cavalo, Mônica dentuça, múmia, perna fina, ogra… A escola tem o papel fundamental na nossa formação e nem sempre é o lugar mais receptivo para estarmos, já reparou?.

Quando eu era tinha 8 anos, fui morar com minha avó. E a escolha da minha mãe de não ficar com os filhos me renderam vários questionamentos e eu sempre ouvia as pessoas falando coisas do tipo “filho de peixe. peixinho é”. Lembro de quando estava na quarta série e eu tinha uma melhor amiga e um dia ao entrarmos na sala nos deparamos com nosso nome no quadro escrito ao lado: ‘PUTAS’. Nós tínhamos uns 9 anos, nem sabíamos o que era beijar na boca e já estavam nos chamando disso. Pois é, crianças podem ser más!

Nosso professor xingou a sala toda, não procurou saber quem era e só pediu que isso não se repetisse. Nenhum adulto conversou conosco nem com nossos responsáveis e a história simplesmente foi esquecida. Depois, na sétima série, minha única amiga havia mudado de escola e eu estava sozinha. Daí eu comecei a namorar com um menino 8 anos mais velho que eu e, como eu sempre morei com meus avós. eu só podia sair aos domingos e das 19 às 21:30. o que não facilitava em nada a minha missão de fazer amizades. Um certo dia, eu estava sozinha no intervalo, umas meninas do ensino médio estavam olhando para mim e rindo.

Daí ela me chamaram para conversar e eu fui. Elas começaram a me perguntar se eu tinha namorado, com quem eu namorava, se eu sabia o que ele fazia a noite até que uma menina me chamou de corna e todas começaram a rir. Eu só consegui sair dali e ir ao banheiro chorar. Não, eu não terminei com ele, depois disso ainda namoramos mais 3 anos. Eu me sentia sozinha demais para abrir mão da única pessoa que, na minha percepção, sempre estava ao meu lado.

Depois disso, mudei de escola, veio o ensino médio, conheci várias pessoas comecei a namorar de novo. Dessa vez, ouvi dele que eu era tão vagabunda quanto minha mãe. Quando terminamos ele colocou no nome do orkut ‘fiama, tesudinha do funk’. Nessa época, o meu maior desejo era ir para faculdade para poder ser alguém diferente do que as pessoas achavam que eu era. Sim, eu tinha vergonha do as pessoas achavam que eu era! Eu fui para faculdade, daí reprovei em uma matéria pela primeira vez na vida. Fui fazer a cadeira com o mesmo professor no terceiro período e havia prometido para mim mesma que tiraria total em tudo. Eu não conhecia ninguém da nova turma e como sempre, tinha muita dificuldade em fazer amizade. O professor havia marcado uma prova no início do semestre para uma segunda feira, alguns meses depois, na época da prova, a turma sugeriu que a prova fosse na terça e o prof afirmou que só mudaria para terça se todos concordasse porque já estava marcado ha meses. Eu tinha uma prova com um professor fodastico de direito civil na terça a noite e a prova seria na terça de manhã, por isso optei por não mudar a data. Só eu. No fim, a prova foi na terça. Mas isso foi o de menos para mim, recebi inúmeros prints de meninas me xingando de puta, vagabunda, retardada e outras coisinhas de um nível mais baixo.

Em nenhuma dessas situações ninguém se colocou no meu lugar. Eu fiquei muito tempo sem consegui olhar para cara de ninguém. E cada dia mais os meus complexos aumentaram. Por isso é tão importantes falar sobre bullying. A gente nunca sabe o que a pessoal viveu até ali. As pessoas passam por coisas na vida que desconhecemos. As vezes quando você acha que está simplesmente apontando o dedo, você pode estar colocando o dedo naquela ferida mais sensível, mesmo sem ser sua opinião. As vezes, sua “brincadeirinha” pode desencadear um monte de coisa ruim na vida da pessoa. Por que desse texto? Comecei a assistir #’13reasonswhy . e a série me fez pensar sobe a minha vida até aqui. Simples!

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Um comentário sobre “Querido Diário

  1. Nossa, cada situação! Me fez pensar em coisas que vivi também, as pessoas podem ser muito más, raramente pensam no que seus comentários e atitudes podem causar, ainda bem que saímos mais fortes e mais maduros dessas experiências desagradáveis. Essa série é ótima, e em mim causou boas reflexões, apesar de não ter sido bem aceita pela crítica. Muito bom seu texto.

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