Não estou preparada para isso

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Tenho sentido uma angustia enorme em não conseguir escrever por aqui. Não sei exatamente o que me fez parar de escrever. Não sei se foi a rotina corrida, se foi o desinteresse ou se estou bloqueando meus sentimentos.

Sempre tive facilidade para refletir sobre tudo que acontece comigo, principalmente em forma de texto. Sempre gostei de compartilhar minhas reflexões, porque podia ajudar as pessoas e isso também gerava uma identificação e me permitia não estar sozinha nesse mundo bagunçado.

Mas tenho percebido que as coisas não estão fluindo mais.

Fui alertada várias vezes que era sonhadora, romântica e até iludida demais. Que com o tempo eu pararia de ser tão sentimental e passaria a enxergar o mundo de forma mais simples, clara e sem tanto amor, “porque a vida é difícil e o ser humano é ruim!”

Nunca acreditei nisso. Não quero acreditar nisso. Tá, beleza, pode até ser que algumas pessoas insistam em viver em caixinhas -> acordar, trabalhar, comer e dormir. Mas essa é uma escolha, não uma obrigação. E eu continuo não querendo isso para mim.

Quero refletir sobre desilusões, doa a quem doer. Quero acreditar no amor, da forma mais encantadora que eu conseguir imaginar. Quero ter sonhos novos, todos os dias, horas e minutos. Quero me encantar, me deliciar com os mínimos detalhes, quero parar, quero chorar, rir e sentir em demasia.

Obrigada por ter me cobrado textos novos. Obrigada por acreditar em mim. Obrigada por me lembrar o que eu quero. Obrigada por não deixar que eu me submeta aos padrões. Obrigada por não me deixar entrar na caixinha. Obrigada!

Não estou preparada para isso e não faço a menor questão de estar.

 

 

 

Deixe estar

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Quem eu sou:

Estudante de direito, romântica, blogueira e solteira? NÃO.

Estou sendo isso tudo. Sou, é permanência. Estar, é estado.

Não sou apenas solteira ou estudante. Estou solteira, amando ser estudante e blogueira.

Confusa, eu? Não, só estou confusa. Estressada? Estresse é uma causa.

EU SOU, e ser é essência.

“E quem não sabe a diferença entre ser e estar, talvez nunca saia do lugar.”

Estar é transitório, passageiro.. Daqui a pouco essa fase acaba.

E não vale a pena encarar como definitivo o que pode ser transitório. Não vale a pena dizer que você se resume a isso ou aquilo.

Bom mesmo é saber estar, sair e largar, sem medo de deixar de ser o que intimamente você é.
Porque eu sou essência.

Agora já sou gente grande, pronto

SIMIMIM

Passei muito tempo querendo virar “adulta de verdade”. Aos quinze, queria ter dezoito. Aos dezoito, queria entrar na faculdade. Na faculdade, só queria fazer estágio. Sempre busco um fato marcante, tipo um ritual de passagem, para que eu possa certamente dizer: sou gente grande.

Até agora, já encarei alguns marcos que tinham tudo para me fazer acreditar que eu entrei, com os dois pés, nessa nova fase. Fiz tudo do jeitinho que a sociedade sugere para que eu conseguisse o título de mulher e perdesse o título de menininha. Por alguns instantes eu até tive a sensação de “uaau, agora sim sou uma mulher”, mas umas semana depois, ou menos, eu já percebia que tudo não passava de uma doce ilusão.

Entretanto, ontem foi um dia daqueles que você reza para não ter saído de casa, para tudo não ter passado de um pesadelo ou um sonho ruim. Acordei às 5:20, como de costume, tomei banho, arrumei meu quarto, troquei de roupa e subi, a pé e sozinha, para hospital que fica bem longinho da minha casa para fazer um exame que eu estava morrendo de medo. Nisso, eu que já estava com sinusite, dor de cabeça, de ouvido, olhos lacrimejando fui com fé. Mas até aí, tudo bem. Uns 20 minutos de espera, minha vez de fazer o exame, entrei na sala e a moça me pediu para tirar o piercing do nariz, ah se ela soubesse o quanto doí para fazer isso. Mas tudo bem, tirei. 50 minutos depois, exame pronto, labuta para colocar o piercing de volta. Fui para fila de atendimento, queria uma consulta “normal” com um clínico qualquer. DUAS horas na espera. Ele me receitou SEIS remédios. Nada da minha dor melhorar até então. Cheguei em casa chorando e comendo desenfreadamente. Minha avó, minha irmã e minha mãe, sem paciência nenhuma comigo. Eu só conseguia chorar e comer e faltava apenas 20 minutos para eu estar no estágio. Era o dia que eu pagava às 12 horas e trabalhava 5 horas direto.

Ainda chocada com os seis remédios, com a maquiagem mal feita, com a roupa escolhida as pressas, com a falta de paciência das pessoas, juntei todos os meus caquinhos e fui para o estágio.

E por lá, como já era de se esperar, nada foi fácil de novo. O boy me chamou de “infantil” por uma coisa retardada, eu escrevi uma coisa errada na petição que foi protocolada, o que deveria ser meu “ajudante” me mandando mensagens idiotas no whats app. Afff.. Se não bastasse, ainda teve a história da foto!

Mas olha que legal, eu não queria saber da minha dor de cabeça ou dos meus problemas familiares, nem da minha roupa, da maquiagem, nem dos estresses.. Só queria chegar a tempo no estágio, só queria realizar as minhas funções, isso porque os meus colegas de trabalho não são culpados por eu ser dramática, nervosa, distraída..

Eu fiz as petições que faltavam, tomei coragem para assumir meu erro e conversei com o chefe, resolvi tudo com o médico, fui à farmácia comprar os remédios, engoli todos os desaforos, resolvi tudo com o cliente que ligou para lá 5000 mil vezes e voltei para minha casa. Sozinha, sem um pingo de lágrima, e sem descer do salto 10.

Quando eu conto isso, as pessoas riem com a história e todos concordaram que era muito azar para uma Fiaminha só. Mas nenhuma lágrima foi derramada durante o expediente, que fique bem claro.

E quando eu me dei conta de que eu não tinha chorado, que eu não tinha largado tudo e saído correndo para casa, foi que eu percebi: eu tinha virado gente grande. Foi só assim tendo que resolver meus problemas sozinha, fora de casa, a cabeça doendo, e uma petição para realizar que eu percebi que a reação natural de toda menina (e alguns meninos), seria cair no choro e desistir e que, então, por não ter chorado, eu já era adulta

Bom meninas, é isso! Espero que vocês tenham sempre mais sorte que eu e, se não tiverem, que tenham sempre muita força para continuar seguindo em frente. boa sorte pra todas nós. Eu não sei quando nós nos tornamos efetivamente mulheres, e eu espero que vocês não precisem ter tanto azar para descobrir. Beijinhos! ❤

O segredo é não correr atrás das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até nós

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Quando depositamos confiança nas pessoas, o risco da decepção é grande, pois elas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, bem como não estamos aqui para satisfazer as dela.

As pessoas não se precisam, mais sim, se completam; não por serem metades, mas por serem pessoas inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, percebemos que para ser feliz com outra pessoa, precisamos primeiramente não precisar dela.

Percebemos também que aquela pessoa que amamos, que nada quer conosco, definitivamente não é o homem ou a mulher de nossas vidas.

Temos que aprender a gostar e cuidar de nós mesmos e, principalmente,a gostar de quem gosta de nós.

O segredo é não correr atrás das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até nós.

No final das contas, vamos achar não quem estávamos procurando, mais quem estava procurando por nós.

( Mário Quintana )